A resposta curta é sim, mas se aprofundarmos as vantagens e as desvantagens da utilização de instrumentos volumétricos na determinação de conteúdos efetivos de pré-embalados, talvez cheguemos à conclusão de que não será, de todo, o método mais adequado.
Instrumentos Volumétricos
Para quem não entende do que se trata, comecemos por esclarecer, como são determinado os conteúdos efetivos de pré-embalados com instrumentos volumétricos.
De forma simplificada, a Recomendação R79 da OIML, sobre a rotulagem dos pré-embalados, refere que, os produtos líquidos devem ser rotulados em unidades de volume e os produtos sólidos em unidades de massa. Se assim é, e de forma a poder comparar os erros determinados com os valores declarados, também os conteúdos efetivos devem ser determinados nas unidades correspondentes. Para um leigo, e tendo por base esta pressuposto, o mais óbvio até seria pensar em utilizar-se um instrumento volumétrico para determinar o volume de um pré-embalados líquido. E não é errado pensar assim, mas serão os instrumentos volumétricos os equipamentos mais práticos e rigorosos para utilizar nestes casos?
“Este processo deixa resíduos na embalagem que não irão ser contabilizados. Neste caso é o embalador que sai prejudicado, pois não considera todo o produto existente na embalagem, mas isso é algo que também pode ser otimizado.
O princípio subjacente à determinação volumétrica, reside no facto do volume de um líquido poder ser determinado através da geometria de um recipiente calibrado, medindo o espaço que este ocupa, através da leitura do menisco numa escala existente no recipiente. Alguns instrumentos volumétricos são feitos para conter um volume exato, como os balões volumétricos, também conhecido por fiole (termo muito utilizado na indústria dos vinhos), enquanto outros podem ter quantidades variáveis, pois têm uma escala com várias leituras possíveis, como as provetas ou os copos graduados.
Os Desafios da Medição Volumétrica
A utilização deste tipo de equipamentos na determinação dos conteúdos efetivos dos pré-embalados, terá eventualmente como vantagem, permitir uma leitura imediata do volume, sem necessidade de conversão. Mas será que é mesmo assim?
Os líquidos sofrem um aumento do seu volume com o aumento da temperatura, devido ao fenómeno de dilatação térmica que ocorre quando as moléculas que compõem a substância aumentam a sua velocidade. Isto significa que quando se lê um volume de uma substância num instrumento volumétrico, este poderá não ser sempre igual e vai depender da temperatura a que a substância se encontra. Se assim, é, então torna-se mais difícil validar a conformidade do volume de um produto líquido fazendo apenas a sua medição com um instrumento volumétrico.
De acordo com a Recomendação R87 da OIML, a temperatura de referência para a determinação dos conteúdos efetivos dos pré-embalados é de 20 ºC, pelo que mesmo que se utilize um instrumento volumétrico para a sua medição, deve ter-se sempre o cuidado de realizar a medição com o líquido à temperatura de referência.
Mas este não é o único inconveniente da utilização destes equipamentos. O rigor das medições também poderá deixar um pouco a desejar. Um dos motivos óbvios e mais conhecidos destes métodos prende-se, claro, com a leitura do menisco, que poderá ser diferente conforme o operador que realiza a medição e também com o grau de exatidão do instrumento utilizado.
Além disso, sempre que se realiza uma medição, é necessário verter o conteúdo do pré-embalado para o instrumento de medição. Este processo deixa resíduos na embalagem que não irão ser contabilizados. Neste caso é o embalador que sai prejudicado, pois não considera todo o produto existente na embalagem, mas isso é algo que também pode ser otimizado.
A pouco praticidade deste método será, talvez, um dos principais motivos pelo qual desaconselho a utilização do mesmo. Utilizar um instrumento volumétrico não permite várias leituras rápidas e precisas. O controlo em processo de pré-embalados deve ser realizado por amostragem e não medindo apenas o conteúdo de um único pré-embalado. Utilizar instrumentos volumétricos para estas medições requer imenso tempo, se considerarmos ainda que é necessário ter os líquidos à temperatura de referência.
A Melhor Opção
Para a grande maioria dos embaladores, todas estas questões são bastante óbvias, mas sei que ainda muitos embaladores, em particular na indústria dos vinhos ainda utilizam equipamentos volumétricos para medir as quantidades nos seus produtos pré-embalados.

O método ideal para medir os volumes dos pré-embalados é utilizar métodos gravimétricos, ou seja, um instrumento de pesagem ou como dizemos vulgarmente, uma balança, tal como se realiza para as medições nos produtos sólidos. As balanças, quando adequadas e com a devida rastreabilidade, permitem obter valores rapidamente e mais rigorosos e a massa dos líquidos não varia com a temperatura. Depois, para se obterem os volumes à temperatura de referência basta dividir a massa do produto pela massa volúmica do produto determinada à temperatura de referência. Desta forma, não é necessário que a substância esteja a 20 ºC no momento da medição. Claro que é necessário realizar uma medição rigorosa da massa volúmica da substância, mas esse processo ocorre com muito menos frequência, tornando as medições das amostras de pré-embalados muito mais ágeis e precisas. Dominando bem o conceito e a relação entre a temperatura e massa volúmica não há como falhar, e os dias dos embaladores tornam-se um pouco mais tranquilos e com uma maior confiança nos seus produtos.